Saturday, October 28, 2006

Continuamos em construção, o redirecionador dá muito erro...
Enquanto isso acho que vamos ficar por aqui mesmo
Pra tirar a propaganda que aparece aqui em cima dos textos:
HTTP://ZINENADA.BLOGSPOT.COM

Wednesday, October 11, 2006

Thursday, October 05, 2006

Por onde anda o Nada?

Em breve novo conteúdo em novo endereço...

Enquanto isso...
Leiam as edições anteriores
Leiam a edição 8 que finalmente saiu
Escrevam textos pra gente e mandem para zine.nada@gmail.com
Votem no Nulo para o segundo turno
Não se esqueçam de escovar os dentes

Saturday, April 15, 2006

coluna nova : Devaneios de uma cadeira

#07 - Abril / 2006

Um cara...
Escreva merdas belas e sente-se para tomar um café quentinho. Ou quem sabe uma cerveja gelada, um suco de canudinho? Tenha vergonha de si mesmo, ria de si mesmo neste mundo barato, cheio de ratos, insetos e pouco, muito pouco mato. Mato? Mato a mim mesmo a cada dia que passa, a cada cigarro, a cada baseado bolado na varanda da minha casa. Eu sei que um dia isso vai me carregar pra longe, mas quem sabe é lá mesmo aonde eu quero estar pro resto de meus dias. Longe daqui, isto fede mais que banheiro de boteco sexta à noite. Mais que o rio sem vida, a não ser por algumas capivaras meio birutas que tentam viver nesta água podre de tudo, podre de merda e de solidão. Porque aquele rio que passa por baixo da ponte que o seu ônibus pega antes de te deixar no ponto mais próximo do seu escritório, aquele mesmo rio que a sua filha chamou de "Rio Cocô", aquele mesmo... Fora abandonado de vez com o lixo, com o esgoto, com uma garrafa de wisky escocês de alguns dólares de seu mês.
Coloque os "erres" nos lugares errados e aprenda a falar errado novamente. Como quando você era criança e não tinha nenhum trabalho a cumprir a não ser sujar e quebrar coisas. Ah! E alegrar a casa em momentos de tensão. Lembra quando a tua mãe te pegava no colo depois de brigar com o teu pai? E ela dizia, repetidas vezes, que te amava demais e que nunca iria te deixar. Aquilo fora uma promessa desesperada, mas, a menos que ela tenha bem mais de 16 anos, ela vai cumprir a promessa que lhe fez. Garotas engravidam de vida e de crianças. Garotas beijam garotas a todo instante e isso lhe parece errado? O que? Estar gerando um filho dentro de você e não saber nem limpar a bunda direito é certo? Porque deveria ser? Porque não deveria ser?
O que eu quero é parar de ser um cara idiota e incompleto, só isso; mas não é exatamente esta a origem da evolução dos seres humanos? A hipocrisia? Desde que aprendemos a nos comunicar de maneira polida, é que tudo começou. Deveria ser como antes e sair quebrando a cara daquele idiota que pegara a sua garota. Mais violência, mais extinto, nenhum dinheiro. Hoje, quando usamos apenas 10% de nossa cabeça animal, como canta Raul Seixas, o dinheiro toma conta de nossos pensamentos. Acho, então, que regredimos de vez, meus caros amigos! Regredimos sim. E continuamos amando, mesmo assim. Obrigado.

Nada com nada # 07

Azia

Muito a perder / Sentido escondido / Botar pra viver / Eu não sei / Será que eu tenho / Muito a perder / Não dá pra adivinhar / Antes de olhar / Outra vez / Tudo se esclarece / Pra não transparecer / Sem sentido / Escondido / Esconderijo / Não quero sentir / Prazer?

Ganhando lixo

# 07 - Abril / 2006

A sociedade vai crescendo aos poucos. A criança deixa de ser espontânea. Adultos e aquilo que é considerado juventude, tem objetivo de tirar uma carteira de motorista, de trabalho, pra depois arrumar uma profissão, arrumar uma aposentadoria e morrer. Você passa onze anos ou mais da sua vida sentado numa carteira ouvindo a professora dizer que se você não fizer essas coisas você vai ser um pobre coitado. Sua liberdade ficou pequena, se resumiu em possuir coisas e ter uma personalidade. Dia e noite você vai se tornando um robô neurótico, suas crises são constantes, sua vida vai perdendo o gosto. Você não quer viver, quer apenas que o tempo passe. Quase todas as coisas em sua vida são reflexos de ver o tempo correr rápido; porque isso pra você é não sentir tédio, não ter tempo pra sentir a mentira escorrendo em você. Passar o tempo, pra ver passar, talvez no amanhã, sua medíocre realidade.
E quando você percebe, mesmo que por um pouco que seja sem saber da onde o aperto entre seu rosto vem você engole o tédio. Porque com tanta coisa pra sentir, tanta coisa pra acontecer, tanta coisa deixada pra trás e você aí querendo que tudo seja igual a você, porque você não suporta a idéia de estar sozinho, de existir pensamentos diversos. Você
quer unificar seu medo nojento, você quer que os outros braços por aí, às ruas, acolham sua insignificante existência.
Pra ser livre você tem que pegar a merda alheia. Liberdade se tornou consumir um monte de coisas, falar coisas só porque te disseram que há essa tal de “liberdade de expressão”. Mas você é um verme, faminto, e pouco lhe importa a tudo isso. Você acredita que a liberdade tem limites, porque o que você, no seu cotidiano de merda que é só trabalhar e trabalhar te impede que você desgrude dessa idéia que já pegou firme na sua cabeça! As crianças querem ser espelhos nojentos de adultos entediados. A “juventude” parou pra perder a vida, pra se ligar num futuro miserável, e se restringir a pensar pra onde vai sair, o que vai comprar, com quem vai trepar essa noite. Os velhos
esperam a morte, alguns censuram, outros vêem tudo com espanto, incerto medo.
Por que você trocou por isso?! Me diz por que as ruas tem lixo, bitucas de cigarro, plástico e papel e outras coisas jogadas, me explica porque essas coisas amontoadas em sua casa tem mais valor que o lixo no chão? Eu já nem quero mais saber. Agora você lê essa merda pra preencher o que lhe faltou, pra ver o que acontece com alguém que não é você. Pra ter o que fazer, pra não ficar parado, você sem puxar uma engrenagem como animal de tração não é mais nada. Agora você depende disso e já não pode mais pensar.
Você é um desgraçado que não para de achar coisas. Traz lixo pra casa. Para de ler e volta a fazer o que era mais importante. Para de sonhar pra se enfiar no mundo que você pode ver e tocar. Pra você só isso importa e nada mais. Quem é você? Você não é nada além de um infeliz com sonhos falidos. Por que você não larga desse monstro que te possui noite após noite? Não adianta rezar, não adianta se esconder do agora que você está, não adianta olhar pro relógio e acreditar nesse tempo controlador, nãoadianta ligar a tv, não adianta ler seus livros, não adianta nada mais até enquanto você não comer essa maçã podre que está dentro de você. Não adianta tentar entender quando pouco lhe importou a você mesmo. NÃO PROCURANDO UMA RAZÃO. Razão pra quê? Pra se enfiar na merda que te levou aqui?! Duas vezes por tantas vezes na vida. Satisfaça de uma vez, qual o medo que você NÃO TEM de ver sua vida se perdendo? Pra que ter um lugar, pra que acreditar nessa “liberdade” confinada?
Você é um verme fazendo de tudo pra ser normal, e quando seus sonhos, estranho imaginário surge, você ignora ou tenta explicar. Você já não consegue devanear, nem pensar. Você se tornou um poço tortuoso e não quer mais, você não pode voltar. O tédio sempre vai lhe sobrar, como lixo de tudo que você tentou guardar. Não vê que não adianta acumular? Resgatar para o amanhã? Tudo que você guardou vai virando caos aos poucos. E a louca vontade de se encontrar, sem mesmo entender, que você não diz acreditar... Liberdade.

Friday, March 10, 2006

Caderno de viagens

# 06 - Março / 2006

“Mãe, não solte o cachorro, pois eu estava jantando e o cachorro apareceu com o olho direito sangrando e inchado. Eu fiquei muito encanado, peguei um isqueiro e fucei na casa toda, a procura do desgraçado que fez isso com ele. Eu já tinha algo em mente, quando cheguei no quintal, na frente de uma planta que eu destruí na bicuda, encontrei uma aranha no escuro. Ela era preta. Mas eu tentei esmagar ela, mas a desgraçada entrou no meio da planta, e como não tem luz lá atrás, não consegui enxergar ela. Amanhã cedo peço pra alguém procurar lá atrás e matá-la. Não procure só na planta, tome cuidado com as telhas, tijolos, pedras. Mande usar meu coturno e calça, mas mate essa desgraçada. Se vocês não acharem, eu acho amanhã à noite. Mãe dê comida para os cachorros, e não os solte de maneira alguma. Mãe, notícia urgente, acabei de matar a aranha. Estou no canto da parede”.

Sessão de críticas

# 06 - Março / 2006

Vamos falar sobre a política da informação e cultura do jornal da cidade e um fanzine sujo, simplesmente isso. O jornal da cidade é variado, tem informação, cultura, profissionais, etc. Por exemplo, sua variedade de temas, opiniões e expressão está na coluna social, um monte de fotos com nomes de pessoas que foram em festas e sorriram e só por isso lhes basta um espaço pra que outras vejam e digo que viram o filho da puta. Esse é o espaço da expressão, cultura, etc. Também tem o espaço das matérias principais, o espaço da informação, e eu me pergunto quem é o filho da puta que puxa o saco de outros desgraçados pra escrever merda, do tipo, a inauguração do novo esgoto, sobre a porra do evento, no que investiram no dinheiro desviado, nas leis inúteis. Também tem espaço onde há notícias curtas, sem a mínima opinião, apenas a mesma porcaria puxadora de saco, acariciadora das bolas da prefeitura e dos desgraçados inúteis na sociedade, da qual qualquer infeliz quer participar pelo caralho que for. É claro que, você que está lendo esse zine, “jornalzinho” ruim, fétido, deve estar pensando que se a gente fosse metade do que eles são seriamos grande bosta, é bem isso, afinal não dá pra ser pior, afinal não somos nada, não queremos o rosto de nenhum desgraçado sorrindo com nome nenhum, muito menos nos tornar jornalistas reconhecidos por algum imbecil patético que não está nem aí pras suas idéias, mas só pra droga do seu reconhecimento.
O jornal da cidade só não fica pior mesmo, porque tem propaganda, o que diminui o espaço pras frases das matérias. Pelo menos a pessoa pode se distrair lendo sobre sua loja favorita, onde ela faz a droga das suas compras e não querer achar algo por isso.
Essa é uma homenagem para todos os filhos da puta que não importa se fizeram ou estudaram o caralho que foi de faculdade alguma, não passam de puxa sacos grudentos e inúteis, que nem pra organizar frases óbvias e passar informação e opinião podem. Essa foi a nossa saborosa contribuição pro jornal mais podre, pro sistema de informação medíocre, e pelos cinco mil gastos na impressão da merda espalhada por aí. De um jornal que pode ser usado pra coisas bem melhores do que pra ler.

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Falando da cidade e do seu sistema, saiu uma nova lei que proíbe a venda de garrafas nos quiosques da praça para evitar a violência. Logo, as leis deveriam ser mudadas para que não se vendesse pelo menos na cidade, ou na região, a venda de todo tipo de vidro, alumínio, ferro, metal, objetos pontiagudos, fogo, plástico e material que pode ser nocivo em todas as vendas, e quando faltarem opções, pedaços de pau, etc, estrangulamentos serão permitidos somente sob uma declaração da vítima e longe das praças, igrejas e outros lugares públicos. As próximas leis úteis: mesas e cadeiras pregadas ao chão (mesadas e cadeiradas na cabeça podem ser fatais), proibido canudinhos (sob pressão num dos lados pode atravessar alguém), proibido porta-seda (pesados e letais), proibido isqueiros (para os piromaniacos), proibido a circulação de pessoas estranhas e suspeitas (você precisa pelo menos ter tido relações com o dono do buteco pra poder comprar alguma coisa sem que ela seja usada para ser transpassada em alguém) e ir ao banheiro e limpar a boca com guardanapos, só sob vigilância.
Leis como essa, ou até mesmo das câmeras que vigiam, pra que você se sinta seguro numa cidade segura e não um pobre cidadão indefeso e psicótico numa cidade indefesa com medo de todos. Por isso, não se movimente bruscamente ou lance olhares aterrorizadores para as pessoas nas ruas, você está sendo observado. E quando chegar em casa, livre de todo o medo, graças a segurança da cidade segura, não se esqueça de comer seus legumes, escovar os dentes após as refeições e não beber antes de dirigir.

Nada com nada

# 06 - Março / 2006
Chovia, enquanto a lua acendia como uma luminária gigante, imponente. Os passos do homem na rua molhada, cheia de poças, eram acordes que iluminavam o ar cintilante e o brusco silêncio das ruas. Seu olhar se espalhava por toda a parte, arrancava partes, ultrapassava uma simples observação, era a atenção que sentia que algo por lá estava vivo. E o movimento dos outros seres se congelou. Ele podia cantar por entre a pausa, que lhe deram até descer algumas escadas e continuar. E passar pelas mesmas ruas, e descer pelos mesmos cantos e renascer de novo. O mesmo estranho, num campo movimentável, endereçando um olhar ou outra, sem imaginar o que se passa como a vida continua como a vida está cansada. Até que encontra o homem que lhe atende, sem ouvir sua voz, sem nunca ter dito uma palavra, enche o seu copo.

Pra escapar

Pra sonhar / Pra sair / Porque já / Acabaram os lugares / Que tínhamos pra ir...

Borboletas assexuadas

Eu estava presa numa caixa chinesa / Segredos no céu e um deserto / A casa pegando fogo / As alucinações / A porta aberta / A porta fechada / Que ninguém sabe / O que aconteceu / Eles esconderam os papéis / Inverteram as histórias / Overdose sexual, overdose / Passa a esquina, dobra as casas / Cartão de origami ou manto / Cama e quarto e mundo / Grande, pequeno, em eclosão / Em expansão, transforma, / Retorce e de repente pára / Como serpente, como pincel.

Feminismo

# 06 - Março / 2006

O feminismo é um movimento filosófico e político de libertação dos valores impostos pela sociedade, como por exemplo, a desigualdade entre homens e mulheres. Diferente do que muitos pensam, não é um tipo de machismo ao contrário e não é só para mulheres. Mas é a resposta das pessoas aos tidos como “valores patriarcais”.
O machismo não está ligado diretamente aos homens, porém talvez seja comum ligar a palavra diretamente ao masculino, pelo fato histórico da participação do homem na sociedade, enquanto a mulher estava destinada ao lar e aos filhos.
Estudando o feminismo histórico, podemos encontrar indícios das mulheres e sua sexualidade sem o prazer, apenas tidas como um lugar para carregar filhos.
Muitos tabus e outros preconceitos à condição da mulher devem-se também ao não estudo do físico. Enquanto homens estudavam sobre o corpo masculino, o da mulher era tido como impuro. A mulher então era vista como “pecadora” por natureza, aquela que foi feita para reproduzir apenas e todas as outras coisas que ela poderia fazer era fruto do demônio.
A igreja totalmente ligada ao Estado ajudou muito para perpetuar os contos sobre a mulher.
Por exemplo, quando uma mulher se indignava a fazer alguma atividade ou ter seus pensamentos que se contradiziam com os de sua época, a reposta era comum: de que as mulheres nasceram assim e é de natureza elas agirem como convém.
Então o significado de homem e mulher está ligado com as diferenças biológicas. Como homem e mulher podem ser iguais se são diferentes? Mas, eles são diferentes fisicamente, apenas. E ainda existem pesquisas para saber qual no que o homem faz de melhor ou a mulher, as doenças que a mulher desenvolve ou não e o homem, etc. Mas, porém, são apenas dados biológicos que não impedem que uma mulher ou um homem sejam considerados humanos. Afinal, ambos são seres humanos, porém designando qual é mais que o outro.
Tudo isso não passou de um estereótipo. E a sociedade só começou a participar dos “direitos das mulheres” não porque sentiu a crítica, mas apenas porque estava mais que na hora das mulheres serem ativas, trabalharem e consumirem.
Ele teve início no século XIX na forma histórica, mas teve antes outros indícios de manifestação.
As chamadas sufragistas lutavam pelo direito ao voto. No movimento inclui também no seu histórico: o direito pelo divórcio, licença pós parto, violência sexual, doméstica, trabalho, aborto, assédio, métodos anticoncepcionais, estudos, etc.
Até então, a sociedade mostrava a mulher como espetáculo frágil, e esse espetáculo só continuo não por culpa do homem ou da mulher, mas de ambos os sexos.
Nesse período até os anos 60, a mulher começava aos poucos se emancipar. Não só na participação da sociedade, mas também na arte. Muitas mulheres estudavam sua história, publicavam livros tratando do tema, como Simone de Beauvoir, conhecida por publicar “O segundo sexo”. Desde então a mulher teve participação na literatura, música, etc.
O feminismo também esteve ligado com muitos outros movimentos, como por exemplo, o comunismo e o anarquismo.
Aos poucos a mulher foi participando da sociedade, mesmo que até hoje ela ainda sofra de preconceitos em determinadas profissões, remuneração inferior, etc.
Porém, nos períodos de guerra, quando o homem ia aos exércitos, foram elas que iam pras fábricas. A emancipação por poder atuar na sociedade só foi alcançada porque o Estado viu que se as mulheres participassem mais, com o trabalho, por exemplo, poderiam consumir.
Hoje as pessoas dizem que a mulher já alcançou muito. E que homens e mulheres são vistos igualmente, o preconceito é quase escasso. Porém, sem a visão das classes, do capitalismo, e do mesmo Estado que alienou – e ainda aliena – com preconceitos, o feminismo que quer participação da sociedade, ajuda as mulheres e homens em suas atividades, mas parece nunca destruir o ponto fixo, a raiz de tudo: o capitalismo novamente.
Por isso, falar que direito pra dirigir, trabalhar - num trabalho que até mesmo é de duas jornadas, ou seja, a mulher trabalha e cuida da sua casa – são apenas desvios para que homens e mulheres se sintam participativos da sociedade, quando esta, usam as mesmas formas das quais ela cativa para oprimir.
E os preconceitos e padrões para mulheres e homens continuam presentes. A mídia é a maior forma de mostrá-los. Não só a televisão, mas revistas, jornais e na música.
O que prevalece: ou é a mulher designada aos antigos preconceitos, ou aos estereótipos atuais, como a mulher que deve ser “gostosa”, gostar de beleza, moda e tudo isso para consumir cada vez mais. Ou totalmente o oposto, como na religião, onde a mulher permanece frágil em sua redoma, o homem como o Outro imponente; em alguns casos onde as mulheres são esterilizadas, vivem sobre submissão, escravidão e castigos físicos.
E ainda existem muitos preconceitos a respeito de mulheres feministas, pensantes ou que fazem alguma arte. Pois, a arte ainda por algumas pessoas deve ser aquela do reconhecimento e de objeto de decoração e não apenas como expressão. A mulher independente e pensante é a que trabalha, quando o trabalho é só outra distração na sociedade do consumo para sobrevivência – que muitos confundem com vida. E apesar de existirem coletivos de estudos feministas, as pessoas não se informam e se ligam aos estereótipos de que toda feminista é gay ou quer ser homem, ou coisa do gênero.
Quando na verdade falta informação e muitas pessoas ainda censuram as outras por desconhecerem e não darem a mínima para tudo aquilo que não se liga à sociedade.
Mais que lutar por direitos de participação no Estado, é preciso se conscientizar do capitalismo e destruir a fonte das discriminações que passam – e se disfarçam – conforme o capital permanece.

Monday, February 20, 2006

Nada com nada & outros textos

# 05 - Fev / 2006
Você me censura / A figura / Censurada / Está errada / A censura / Está errada / Censura-me / Com postura / Pra censura / Ficar errada / Sem censura / Censura-me / A censura / Há uma figura / Censurada / Em você / Me censura / A figura / Está censurada / Da censura / Que me / Figura / Censurar / Você. (?)

Ele cantava / Rodava / Girando sem parar. / Numa perna / Outra perna, / Cambalear. / Recitava poesias / Que mais ninguém / Podia devorar / Seus lábios / Ninguém lia / Da sua linguagem / Todos riam / Seu cheiro / Era de pinga / Seu corpo, / Empatia. / Suas histórias, / Ele delirava / Mesmo que sem / Saber contar / Contava até mais / Que ele tanto / Havia guardado. / Em casa / Ele havia deixado / Um homem lúcido / E virando bêbado / Aos poucos / Era o herói / De um buteco / Perdido / Desviado na esquina / Mas mesmo assim / Sem perder o belo / Do rosto corado / E dos olhos / Acalmados.

A garota que engoliu um rádio

Lá está em seu estômago o pequeno instrumento de freqüência a girar os botões. A música sintetizada a tocar a nauseia tanto, porém, não consegue tirar de mim todo o ápice – talvez por que não existe nada – e ela redobra, imaginária, em sons que pelo ar se sujeitam insensíveis e viajantes. Flutuam como sementes. Aparecem como respingos de chuva. Eu engoli um rádio depois da sobremesa. Ela é a garota que engoliu um rádio.

Telescópio

Nós navegamos através do marEsperando pelo sol uma vezNós sentimos a primavera cairE se tornar um estado.Esperando por um estranho.Nós esperamos as folhasE esperamos a primavera partirE esperamos o sol sumirPra atravessar o gramadoPara se tornar um estranho.

Pobre mediocridade humana

# 05 - Fev / 2006

“Cara, hoje é legal ter uma roupa de marca”. Que porra de homens e mulheres serão no futuro esses filhos da puta que hoje se importam tanto com essas futilidades?
O cara tem que impressionar e isso faz com que todo o seu dinheiro e com todo o seu objetivo e essas minas vão pelo mesmo caminho.
O interessante é que na grande maioria das vezes são jovens de origem humilde, que muitas vezes os pais trabalham feito animais para manter os filhos “nos panos”.
Qual é o benefício desses jovens de tentar passar uma imagem que não é real? O que ganham com isso? Bem, não podemos culpá-los exclusivamente, pois eles são frutos que foram gerados no útero nojento, maléfico da sociedade capitalista burguesa. E essa mesma sociedade burguesa necessita que todos os esforços sejam voltados para manutenção dessa posição, não importando a infinita desqualificação e petrificação do ser humano.
Quando as pessoas não têm as mesmas oportunidades, a sociedade trata de construir um mundo imaginário ideal onde essas mesmas pessoas sejam felizes e que nesse mundo vivem de sonhos, acham que são iguais a todos porque usam roupas caras, mesmo que custe todo o salário do mês; porque tem um carro do ano, mesmo que paguem um número infinito de prestações, que tenham um celular que tire foto, mande mensagens e conecte a internet, mesmo que todas essas opções não tenham nenhuma utilidade prática.
Enfim toda a porcaria e as besteiras que a sociedade através da grande mídia, nos enfia goela abaixo é digerida com o maior prazer, pois, para as pessoas medíocres e “pobres” é muito difícil nadar contra a maré, é muito difícil dizer não às enganações que nos são apresentadas como “essenciais” a nossa vida.
Mundo desgraçado, nesse mundo não tem espaço para o diferente. Precisamos também ser medíocres, um bando de idiotas sentados em frente à televisão com o controle remoto em uma mão, o celular na outra comprando tudo e qualquer bagulho anunciado.

Monday, February 13, 2006

Ao espetáculo da aparência

# 05 - Fev / 2006

Uma conversa chata sobre algo que deveria ser moído: os papéis que a sociedade te dá

Exigindo uma postura para qualificar as pessoas, não só do espetáculo da aparência de que você precisa se vestir ou se portar de certa forma para se encaixar em certos papéis.
Mas não também só os preconceitos, mas dessa obsessão que as pessoas têm por aparência: falar isso, pensar aquilo e essa merda toda.
É como se estivéssemos num teatro observando o espetáculo.
Sentados, vemos o que os outros representam. Vemos os papéis e tudo o mais. Mas, ao invés de apenas assistir, a sociedade nos proporciona a incrível inutilidade de participar.
Logo a platéia sobe no palco e ganha um papel. É como se fossemos fabricados para designar ações, pensamentos, uma vida toda.
Não só daquele que por ter coisas, vestir roupas, se torna algo de muito mais valor do que qualquer outro desgraçado que não se encaixe nos padrões de moda. Mas, o “diferente” também acaba virando espetáculo.
Já não há satisfação, mas apenas encenação de escolher aquilo que se vai viver e provar as outras que você realmente serve para aquilo.
Se não tem um estilo de vida: se compra um, se copia um, se escolhe um.
Há por todo o lugar, não só na roupa ou nos gostos, mas o que chamam de “estilos de vida”. Há cada vez mais papéis para você representar.
A sociedade fingi acolher sua vida, e fica cada vez mais fácil fazer dela representação.
Um exemplo disso são as novelas, por exemplo, como manipulação das massas: elas cativam o público por alguns personagens terem semelhanças com as da “vida real”.
Essa comparação chega perto da do sistema, onde as pessoas tem alcance a tudo: comprar, viajar, trabalhar, ser... Mas nunca uma satisfação enfim. O que quero dizer com satisfação é que, essas pessoas acabam entediadas, se matando pra conseguir seu “lugar” e nunca sentem seu prazer. O prazer é o reconhecimento dos outros, sua realização nunca é própria ou subjetiva.
Mesmo que digam “nossa eu não poderia ser mais feliz com a droga do meu trabalho”, sempre estão lá escravos de um sistema, nunca se contentando com eles mesmos, chupando tédio diariamente e censurando o resto pra sentirem que a dor é menor. Censuram tudo aquilo que desconhecem, tudo aquilo que não faz parte do espetáculo.
Uns acabam confundindo vida e sobrevivência e começam um papo nojento de que é preciso trabalho e essa porcaria toda! Mas sobreviver é uma coisa da qual é mais que óbvia...
Mas fora esse mundo de sobreviver e blá blá blá, elas estão todas perdidas... Aí vão lá e tentam falar em dignidade e qualquer outra porcaria estabelecida que as faça não sentir que, tudo a sua volta é irreal...
A única maneira de estar no mundo caótico da sobrevivência e realizar a própria vida é usar tudo aquilo que você consegue arrancar no seu subjetivo para si.
Tentar comparar com os outros e procurar a própria razão na razão/realização comum só dá em merda. Só dá em um monte de imbecis que te julgam. Só dá em dor de cabeça de você “lutando” pra deixar eles contentes com uma porcaria que você nem pensa se acredita ou não, mas vai lá e faz por que está dito.
Aí eu encontro umas e elas me dizem que o que eu penso não adianta nada, que aquilo não adianta e aquilo também não, que se eu me portar assim ou daquele jeito vai ser melhor pro mundo e essa merda toda. Foda-se. É pra xingar mesmo, ou o que mais eu deveria fazer?
Enquanto você está aí fazendo a droga que você deve fazer, assim que surge um sinal de revolta, arte ou satisfação simplesmente ignora e repete a cena:
Ser para parecer. Parecer para trabalhar. Trabalhar para conseguir. Conseguir uma posição na “vida”. Fazer dessa merda toda sua medalha. Usar a medalha pra limpar a bunda. E nunca entender o que foi vida, afinal...
De fato, sem conhecer o subjetivo e procurando sempre uma razão comum e explicável, aceita e representável, tudo aquilo não fizer parte disso vai pra merda!
O espetáculo do estabelecer... Onde as raízes dos frutos capitalistas se alimentam, da onde o medo comum sai, da onde o tédio jorra... Só talvez ácido pra abrir os olhos!
Quando você notar o espetáculo da aparência, suma pra bem longe, invente e finja, pois eles nunca irão tentar compreender ou respeitar o que você vivencia...
Revolta é válida, porque um pouco de ódio eles compreendem bem...
Se você não entendeu nada nesse texto medíocre cheio de erros ortográficos e de concordância, esse era o único e real objetivo. Já o subjetivo eu não sei, nem sou eu quem vai te responder o que é isso... Boicote o espetáculo do parecer... Foda uma imagem, não seja nada...
E o sarcasmo ainda permanece belo.